quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Prelúdio

Uma pequenina idéia surge na cabeça, tão insignificante que mais parece um devaneio e não uma idéia propiamente dita.

Inquieta ela se mexe, revira-se, pulsa e assim como um canibal, vai aos poucos se alimentando de suas irmãs que por algum motivo não tiveram forças para crescer.

Com o tempo ela muda de forma, ganha corpo, conteúdo e agora já segura de si  recusa-se a permanecer confinada na clausura que é minha mente. A idéiazinha quer ganhar o mundo.

Rebelde como ela só, desce sem permissão pelos meus ombros, se arrasta pelos meus braços e desliza pela caneta até encontrar a folha de papel mais próxima.

Acho que é mais ou menos assim que nascem os conto

Questão de fé.

Tentamos escrever nossas histórias pessoais como se elas fossem peças de teatro, com heróis e vilões bem definidos, objetivos traçados e um lindo final feliz.

Só que a vida não cansa de nos mostrar que nada que diz respeito a ela é certo ou definitivo.

Que a mesma pessoa que nos faz rir de manhã poder ser o motivo do nosso choro noturno.

Mas afinal de quem é a culpa? É muito fácil atribuí-la a Deus, ao destino ou a nós mesmos.

Em nossa pequenez e ignorância custamos a enxergar o rumo das coisas, mas a verdade é que na maioria das vezes não existe um culpado a quem atribuir nossas dores ou medos e é justamente isso que as torna ainda piores de ser encaradas.

O que nos resta então? Em que podemos nos apegar?

A maior dádiva humana é a fé, a fé em acreditar que por pior que seja uma situação ela terá um fim.

Fé em acreditar que nossos amigos estarão ao nosso lado quando nossa dor não puder mais ser contida, fé em saber que Deus esta conosco e que sempre existe alguém com quem contar.

O garoto e o Eremita

Todos os dias ao entardecer a cena se repetia, na pedra mais alta do parque logo após a fonte sentava-se um menino de não mais de dez anos.
Era moreno de olhos claros e sempre usava um boné surrado e um chinelo que de tão velho já acumulava três pregos para segurar sua correia. Ali ficava ele pacientemente imóvel a espera de seu ídolo.
Alguns garotos tem como ídolo um ator, cantor ou herói, outros se inspiravam em seus pais, este  garoto entretanto  não se importava com tipos assim, tinha um gosto bastante incomum.
Após minutos de espera , eis que surge um velho senhor de aparência um pouco desleixada, talvez não tão velho assim, mas tinha porém algo no rosto que demonstrava muita sabedoria.
Usava uma camisa listrada e uma calça azul com pequenos cortes na perna direita, seu cabelo quase sempre desgrenhado, era loiro escuro de um tom que fazia lembrar palha. Apesar de tudo isso sua marca registrada era os pés descalços.
O homem repetia sempre o mesmo ritual de passar pelo garoto sem ao menos lhe dirigir o olhar, ia até a fonte, molhava os cabelos e o rosto para só então sentar-se na pedra um pouco adiante do menino, dar-lhe um sorriso e um singelo jóia com o dedo um pouco torto para o lado.
Depois disso pigarreava para aquecer a garganta e começava a contar suas histórias, descrever os lugares maravilhosos por onde avia passado e por tudo que tinha vivido.
Talvez dai viesse o interesse e a admiração do garoto, pois ele próprio só conhecia esses lugares através de livros.
Após algumas horas de conversa o senhor deu seu habitual sorriso debochado e o cumprimentou com aquele jóia meio torto que o garoto nunca entendera bem o que significava e foi embora.
No dia seguinte como de costume lá estava o menino a espera de seu ídolo, cheio de expectativa sobre o que  ouviria durante as próximas horas.
Mas desta vez foi diferente, o tempo passou e o sábio não apareceu, decepcionado o garoto se levantou, foi até a fonte e com as mãos em concha pegou um pouco d'aqua e jogou no rosto exatamente como aquele senhor fazia.
Depois deu um suspiro profundo e ao olhar para o chão reparou em algo que nunca tinha visto antes.
Ao lado da fonte estava um par de chinelos ainda mais velhos que os seus, talvez estivessem ali a anos.
Sem dizer uma palavra o menino correu para sua casa, pegou uma mochila, colocou  algumas coisas nela e voltou para a praça.
Olhou atentamente para os velhos chinelos, tirou os seus próprios e colocou-os ao lado da fonte.
Depois disso partiu feliz imaginando que talvez daqui a algum tempo fosse ele a voltar aquele lugar para ensinar outro garotinho a contar histórias.

Acredite


Acredite

Acredite que podemos mais do que pensamos
Que a criatividade verdadeiramente move o mundo
Que cada parte por menor que seja constrói o todo
E que o esforço sincero sempre será recompensado

Acredite
 Que a ação supera a inércia
A razão se sobrepõe à ignorância
Que a vontade elimina qualquer distância
E que o impossível é apenas uma palavra

Acredite
Porque o mundo foi criado pela crença
 De que nossos sonhos moldam a realidade
Que a fé em si mesmo determina os resultados
E que não a força maior que a esperança

Acredite